Coragem para mudar e sair do modo sobrevivĂȘncia
- Cintia Suplicy
- 7 de set. de 2021
- 8 min de leitura
Atualizado: 7 de out. de 2021
Como comecei a me reconectar com a minha autenticidade e comecei a ter coragem para tomar melhores decisÔes?

VocĂȘ jĂĄ se sentiu paralisada (o) quando precisou tomar uma decisĂŁo? JĂĄ sentiu que precisava mudar mas faltou coragem?
Mudar requer mais que coragem. Na verdade, coragem Ă© consequĂȘncia. Existe um caminho mais seguro, que Ă© olhar para dentro e entender o que nos faz feliz, o que importa de verdade e o que faz sentido pra nĂłs.
Vivemos parte da vida tentando nos encaixar nas exigĂȘncias do outro, e com isso, nos perdendo de nĂłs mesmas (os).
Uma vez ouvi de um guia espiritual que nós aprendemos pelo amor ou pela dor. Eu não acreditava muito nisso, mas senti na pele que aprender pela dor não é das melhores opçÔes. Tive dois casamentos. Dois divórcios também. E algumas outras dores que não vem ao caso contar aqui. E hoje posso dizer que me separar foi a melhor coisa que me aconteceu.
E tambĂ©m que o maior aprendizado Ă© que nĂŁo precisamos esperar a dor para mudar. Porque esperar pela dor Ă© tambĂ©m ter que lidar com as consequĂȘncias dela.
Eu tinha a sensação de que a vida estava passando e que eu estava operando no modo sobrevivĂȘncia. Estava correndo atrĂĄs de alguma coisa que nem eu sabia o que era. Ăs vezes parava para pensar no sentido de tudo aquilo. Poucas vezes tive resposta, pois encontrava vĂĄrias desculpas que me faziam permanecer na minha zona automĂĄtica.
Eu costumava fantasiar que tinha um gigante adormecido dentro de mim. Eu precisava despertar este gigante, mas tudo o que conseguia enxergar era a vida me engolindo aos poucos.
O fato de eu viver em uma Ă©poca em que o caminho natural era escolher uma faculdade, namorar, casar, ter filhos e trabalhar, era um agravante, pois sempre me interessei por vĂĄrias coisas, e escolher apenas um caminho, para mim, significava nĂŁo aproveitar as inĂșmeras possibilidades que a vida nos dĂĄ de VIVER.
E quando vamos na contramĂŁo (ou tentamos ir) da maioria, recebemos uma chuva de julgamento, que nos faz acreditar que os outros estĂŁo certos e nĂłs, errados.
Pois bem, minhas escolhas foram escolhas padrÔes. Era mais fåcil, pois cada vez que eu escolhia o que eu queria e não o que os outros acreditavam que era o melhor ou o correto, a sensação de que eu estava errada era reforçada e o medo de sustentar minhas próprias escolhas me dominava.
Questionei vĂĄrias vezes o certo e o errado. Muitas vezes me vi na posição de nĂŁo saber nem o caminho que eu queria ir. Me questionava o tempo todo se era o caminho certo, pois vĂĄrios tipos de medo passavam pela minha cabeça. E nesta de me questionar, tive vĂĄrias experiĂȘncias no campo profissional. Mas nada me preenchia. Me pegava pensando: "SerĂĄ que a vida era sĂł isso mesmo"?
Me vi covarde, com medo de ficar sem dinheiro, medo do julgamento, medo de não ser aceita, medo do incerto, até medo do sucesso. E a vida foi passando. E eu, sentindo que estava me perdendo de mim mesma.
Até que a minha primeira separação veio como uma porta que se abriu para a minha autodescoberta.
Eu precisei me separar para começar a olhar para dentro, pois percebi que estava buscando do lado de fora a cura para as minhas lamentaçÔes.
E nĂŁo hĂĄ outro caminho. NĂłs damos voltas, buscamos atalhos, queremos respostas e resultados imediatos. No final, somente um trabalho de reconexĂŁo com a nossa essĂȘncia, de aprofundamento em nĂłs mesmos, Ă© que vai mudar tudo isso. Certa vez uma amiga minha me disse que passamos muito tempo olhando para o externo, tentando ajudar os outros a serem pessoas melhores, a serem mais felizes, a terem vidas menos vazias, mas a melhor coisa que podemos fazer pelo outro Ă© curar a nĂłs mesmos.
A primeira vez que escrevi este texto, contei toda a histĂłria que me fez chegar atĂ© aqui, mas percebi que tinha escrito um livro de 10 pĂĄginas e que talvez vocĂȘ nĂŁo tivesse paciĂȘncia de chegar atĂ© o final, entĂŁo retornei e reescrevi deste ponto em diante.
Posso te dizer que talvez vocĂȘ se frustre, por nĂŁo existir exatamente um final. O que existe Ă© um ser em construção (eu) apresentando alguns caminhos que funcionaram na sua vida. Meus caminhos, minhas escolhas, minhas descobertas, talvez façam sentido pra vocĂȘ seguir, ou talvez te despertem o desejo de buscar o seu prĂłprio caminho. O mĂnimo que pode acontecer Ă© vocĂȘ seguir a sua vida e eu a minha. E estĂĄ tudo bem.
Se vocĂȘ jĂĄ me conhece um pouco e sempre me escuta falar sobre felicidade e psicologia positiva, deve estar achando um tanto estranho eu escrever este texto. Mas verĂĄ que tudo estĂĄ conectado, e foi tambĂ©m dentro deste campo de estudo que encontrei (e ainda estou encontrando) a minha cura.
Mas vamos lå, sem atalhos agora. Quer saber como comecei a me reconectar com a minha autenticidade e aprendi a ter coragem para tomar melhores decisÔes?
Pensando em te ajudar, vou resumir em tĂłpicos, alguns pontos importantes que fizeram sentido pra mim:
Desligue o Modo AutomĂĄtico

Se vocĂȘ nĂŁo parar para perceber que estĂĄ no modo automĂĄtico ou no modo sobrevivĂȘncia, nĂŁo vai conseguir desligar.
Ăs vezes dĂłi olhar para dentro e dĂłi ainda mais entender que precisamos mudar. Mudanças despertam vĂĄrios medos em nĂłs. Quando pensamos em mudar, a vida dĂĄ um jeito de mostrar que Ă© melhor permanecermos onde estamos. Por isso nos ocupamos e nos preocupamos com coisas externas, que nos trazem um resultado mais rĂĄpido ou atĂ© que nos fazem encontrar desculpas ou culpados (isso alivia a dor de se enxergar).
Tenha presença para perceber que algo nĂŁo estĂĄ bom. SĂł o fato de vocĂȘ parar e observar o que estĂĄ acontecendo, jĂĄ trarĂĄ para a consciĂȘncia o seu funcionamento, o que Ă© importante para te ajudar a obter respostas.
Nosso cĂ©rebro, para economizar energia e nos proteger do perigo, escolhe o modo automĂĄtico por pura sobrevivĂȘncia. SĂł de pensar em sair deste modo jĂĄ faz com que ele ative vĂĄrios mecanismos de defesa para nos manter lĂĄ. Por isso Ă© importante ir aos poucos reconhecendo o terreno para nĂŁo assustĂĄ-lo.

2. Tenha consciĂȘncia dos seus valores
Nossos valores sĂŁo como uma bĂșssola que nos guia nos caminhos de nossa existĂȘncia. Precisamos entender o que Ă© importante para nĂłs, do que nĂŁo abrimos mĂŁo e o que nĂŁo faz mais sentido. VĂĄ aos poucos ajustando a sua bĂșssola. No prĂłximo tĂłpico vou falar mais sobre isso.
Mas antes, quero te contar que quando aprendi quais eram meus valores e utilizĂĄ-los como bĂșssola ou termĂŽmetro, consegui trazer mais clareza para as encruzilhadas da vida.

3. Desapegue
Pessoas, coisas, situaçÔes, formas de pensar e de fazer o que fazemos, vĂŁo formando padrĂ”es e, por mais que nĂŁo sejam bons para nĂłs, nos trazem segurança. O apego Ă© inato ao ser humano. Nos apegamos por uma necessidade infantil de segurança. A criança se apega aos pais, cuidadores, professores para se sentir segura. Por isso nos apegamos tanto; nĂŁo somente a pessoas, como tambĂ©m a padrĂ”es de comportamento, pensamento, roupas, situaçÔes, etc. Sabe aquele trabalho que vocĂȘ nĂŁo quer mais mas nĂŁo consegue largar? Aquela amizade que nĂŁo faz mais sentido mas vocĂȘ continua nutrindo? Ou aquela visĂŁo de mundo que nĂŁo te deixa sair do lugar? Tudo isso Ă© apego. Analise o que nĂŁo faz mais sentido, o que nĂŁo combina com o que vocĂȘ quer e o que estĂĄ te afastando de vocĂȘ. E desapegue, aos poucos. Pode parecer difĂcil, mas liberta. A pergunta norteadora aqui Ă©: isso faz sentido pra mim?

4. Mude o seu olhar
VocĂȘ sabia que uma das causas de nosso sofrimento estĂĄ na maneira como enxergamos o que nos acontece?
Quando eu cheguei aos 30 anos e me vi querendo fazer uma nova faculdade, eu sĂł conseguia olhar para trĂĄs e pensar quanto tempo eu havia perdido. Eu dizia que estava muito velha, que se eu tivesse escolhido certo na primeira vez eu jĂĄ estaria feliz, com dinheiro e seria bem sucedida. E este pensamento sĂł me fazia recuar do meu desejo de mudar. Foi a mudança de olhar que me fez tomar a decisĂŁo e superar meus medos e dĂșvidas. Comecei a pensar na oportunidade que eu teria, em quantas coisas eu jĂĄ tinha aprendido atĂ© ali e que poderiam me ajudar em uma nova carreira. Enxergar as coisas que lhe acontecem de uma maneira mais construtiva te ajuda a encontrar saĂdas, tomar decisĂ”es difĂceis e superar seus medos.
Como vocĂȘ estĂĄ enxergando e contando a sua histĂłria e qual a narrativa que irĂĄ te permitir construir em vez de te paralisar?
5. Reconheça o que vocĂȘ jĂĄ tem de bom

Passamos a vida tentando nos encaixar nas expectativas dos outros e nos transformando em pessoas que nĂŁo somos.
AlĂ©m disso, temos uma tendĂȘncia ancestral a olhar os aspectos negativos das situaçÔes. Nosso cĂ©rebro herdou esta maneira de interagir com o mundo por pura (de novo) sobrevivĂȘncia.
E este padrĂŁo foi sendo reforçado pela vida: aprendemos que temos que ser melhores do que somos, que nĂŁo somos bons o suficiente, que precisamos competir e desvalorizar o outro para ter sucesso. Aprendemos a farejar o perigo, a julgar os outros e a nĂłs mesmos, com uma exigĂȘncia praticamente inalcançåvel.
Quando conheci as forças de caråter, através da psicologia positiva, comecei a girar uma chave dentro de mim. Eu tinha vårias qualidades que faziam com que as coisas funcionassem pra mim, mas estava treinada para olhar as ruins.
Todos nĂłs temos forças que nos tornam Ășnicos, que refletem a nossa forma de fazer as coisas, de sentir, de ser e de pensar sobre a vida. Ali eu entendi, finalmente, que nĂŁo precisava (e nem deveria) fazer como todo mundo faz ou ser como todo mundo Ă©. Entendi tambĂ©m a causa de todas as minhas angĂșstias: eu estava tentando me encaixar. Precisava me conhecer melhor e saber como poderia usar o que eu jĂĄ tinha de bom em mim. Consegui relaxar e perceber que o peso de corresponder Ă expectativa dos outros, estava saindo das minhas costas.

6. DĂȘ um passo do tamanho da sua coragem
Certa vez ouvi da minha mentora Elen Milek, que precisamos dar passos do tamanho da nossa coragem. Isso fez todo sentido pra mim, pois foi desta forma que consegui sustentar o meu processo de mudança.
O que ocorre quando decidimos mudar, é darmos um passo pra frente e dois para trås. Ou fazermos tudo råpido para termos resultados råpidos. Grande besteira. Jå falei que nosso velho amigo cérebro farå de tudo para nos proteger, boicotando toda e qualquer possibilidade de ação que possa ameaçå-lo.
Uma forma de lidar com isso Ă© dar passos menores. Sabe quando vocĂȘ quer entrar em um rio gelado e nĂŁo tem coragem? Primeiro coloca um pĂ©, depois tira, coloca de novo, atĂ© amortecer o pĂ©, e entĂŁo vocĂȘ começa a entrar devagarinho. Reconheça o terreno que estĂĄ pisando. Amorteça a dor, vĂĄ aos poucos. Seu cĂ©rebro vai começar a se acostumar e nĂŁo vai criar tantos problemas.
Foi desta forma que, aos poucos, me reaproximei de mim mesma, da minha essĂȘncia e da minha autenticidade.
JĂĄ nĂŁo fazia qualquer coisa que nĂŁo estivesse coerente com o que eu sentia e com quem eu era. Mesmo que desagradasse os outros.
Comecei a me soltar mais, a me enxergar mais, a me cuidar e me amar mais.
E hoje tenho minhas recaĂdas, volto vĂĄrias vezes para o lugar de onde saĂ, para a minha caixa. Mas jĂĄ me conheço, e sei sair dela quando me sinto fortalecida. Ainda tenho muitas coisas a destravar, mas posso dizer que estou no caminho, e Ă© um caminho sem volta.
Espero que tenha gostado e que faça sentido pra vocĂȘ! Se vocĂȘ se identificou, baixe o Guia Autenticidade sem Medo - Caminhos para a ReconexĂŁo
Até a próxima!
Cintia Suplicy
Psicóloga, co-fundadora da Wiegrow, especialista em Psicologia Positiva, Designer de OrganizaçÔes Positivas, Mentora de Felicidade e Autenticidade.
