A cura chamada autenticidade

Seja você mesmo! Quantas vezes ouvimos falar isso? E quantas vezes nos pegamos dizendo: mas eu estou sendo eu mesmo!


Será?


Ser você mesmo é um conselho que ouvimos de muitas pessoas. Mas será que é tão fácil assim?


Estudada por pesquisadores que têm a Felicidade como foco principal, a Autenticidade é um dos caminhos que leva a uma vida de maior satisfação.


“Autenticidade é quando o que está dentro de você é o que sai para fora de você: pensamentos, desejos, sentimentos, necessidades e verdade” (Dan Collison).

Autenticidade é sobre honestidade e transparência, sobre não vestir máscaras ou não ser quem você não é. Tanto para os outros quanto para você mesmo. Ser verdadeiro e gentil consigo mesmo e congruente com seus pensamentos e sentimentos são formas de trabalhar esta verdade interna que teima em se esconder.


Mas cá pra nós, se formos autênticos a todo instante, podemos causar um colapso em nossas relações. Como equilibrar isso então?


Antes de falar sobre isso, quero colocar um tópico importante para vocês:


Por que tanta dificuldade com a autenticidade?


O grande vilão da autenticidade é o medo. Um de nossos maiores medos é do que outro pode pensar sobre nós. O Medo do Julgamento, de que os outros não concordem com o nosso ponto de vista ou com o nosso comportamento, de estarmos expostos a críticas. Tem também o medo de ficarmos vulneráveis, de nos mostrarmos frágeis, de mostrarmos nossas emoções mais sombrias, como a raiva, a tristeza, a dor, a angústia e o próprio medo.


Brené Brown, cientista da Universidade de Houston, diz que não há como alcançarmos nossos objetivos de forma plena enquanto não aceitarmos quem realmente somos, abraçando nossas dúvidas e inseguranças.


O Psicólogo Carl Gustav Jung fala que somos feitos de luz e sombra, e que precisamos desta integralidade, aceitando nosso pior e nosso melhor lado.


Nosso lado sombra é tudo aquilo que negamos em nós ou no outro, ou que não queremos aceitar em nós. Para Jung, é o “não eu”. Fonte de tudo que há de melhor e pior na mulher e no homem, em suas relações com outras pessoas do mesmo sexo, representando tudo o que não gostaríamos de ser.


Em alguns momentos, nossa sombra parece até exercer uma personalidade autônoma, oposta ao que somos em nosso dia a dia.

E para não mostrar este nosso lado, vivemos tentando nos encaixar em padrões. Lutamos para manter uma distância segura dos outros, para que não consigam enxergar nosso verdadeiro eu. Temos vergonha de ficarmos expostos.


Mas o que acontece quando guardamos palavras, sentimentos, pensamentos ou deixamos de agir? Vamos acumulando mágoas, ressentimentos e frustrações. E ao acumular estes sentimentos, em algum momento isso não sai, explode: em forma de doença ou de um grande desequilíbrio emocional.


Expressar a nossa verdade nos liberta. E é ainda mais libertador quando permitimos ao outro ser ele mesmo também.


Vamos voltar ao assunto anterior a este tópico: será que precisamos ser autênticos o tempo todo?


Os psicólogos chamam a tendência das pessoas de mudar um comportamento para corresponder a uma situação específica de auto-monitoramento. E sugerem que muito auto-monitoramento pode causar a impressão de falta de autenticidade e pouco, pode causar a impressão de inflexibilidade.

O ideal é o equilíbrio. Costumo dizer que precisamos pensar sempre no outro. Se não estou fazendo mal ao outro ou a mim mesma e se isso está de acordo com meus valores, excelente.

A adaptação ao ambiente é benéfica em algumas situações. Está tudo bem em não expressar exatamente o que você está sentindo e pensando o tempo todo. É importante encontrar um equilíbrio entre expressar-se e monitorar-se.


Neil Parischa explica que a autenticidade é a chave para uma vida boa, pois nos permitimos viver situações que nos preenchem mais. A pessoa autêntica faz melhores escolhas, pensando sempre se elas estão alinhadas com seus valores, pois a autenticidade reflete nossos valores e nossa identidade.


Pesquisas mostram que pessoas com um score alto em autenticidade relatam ser mais felizes, ter mais emoções positivas, auto-estima alta, menor probabilidade de vivenciarem o stress, ansiedade e depressão, melhores relacionamentos e mais crescimento pessoal do que as que são pouco autênticas.


Alex Wood fala sobre alguns componentes da autenticidade:


- Autoconhecimento (precisamos conhecer quem somos e o que queremos)

- Levar uma vida autêntica (sensação de que seus comportamentos refletem seus sentimentos verdadeiros)

- Aceitar a Influência externa (não deixar de ser quem você é para ser o que os outros esperam de você).


Como podemos ser mais autênticos?


- Ressignificar o conceito vulnerabilidade: Para Brené Brown, não mostramos a nossa vulnerabilidade porque não queremos ser vistos como fracos. Mas quando mostramos, a reação das pessoas é mais de apoio e de admiração pela nossa bravura, do que de julgamento. Para ela, ser autêntico e vulnerável é um sinal de bravura e coragem.

- Estar presente e atento a nossos comportamentos, sentimentos, emoções e atitudes. A prática do Mindfulness é um grande aliado para conseguirmos nos manter presentes.

- Procurar situações que permitam que você seja autêntico: quando estamos presentes e nos conhecemos bem, fazemos escolhas melhore e enxergamos melhor os lugares e as situações que nos fazem bem e que permitem que nossa autenticidade se manifeste.


As Relações melhoram com a autenticidade (se não melhoram, é porque ali não havia relação que valesse a pena), as vendas melhoram com autenticidade (experiência própria: em um pequeno experimento, descobrimos que por enquanto, são mais sustentáveis), seu bem-estar melhora com autenticidade, sua liderança torna-se mais humana e você torna-se livre.


Liberdade tem tudo a ver com autenticidade. A maioria das pessoas tem a Liberdade como fator essencial para a Felicidade. Porém, estão presas a dogmas, vícios, pensamentos, religião e o mais importante: elas estão prisioneiras delas mesmas.


Ser autêntico em um mundo que acredita que manter as aparências é sinal de equilíbrio e sucesso, deve ser a mesma sensação que entrar em uma jaula com um leão. O fato é que na história real sobre a autenticidade, ao entrar na jaula, provavelmente o leão o veria como um igual, dotado de força e coragem.


Depois desta leitura, que tal começar a praticar a autenticidade em pequenas doses? Experimente! Você vai gostar!


Cintia Suplicy

Psicóloga, Mãe e Especialista em Psicologia Positiva

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