Coragem para mudar e sair do modo sobrevivência

Atualizado: Out 7

Como comecei a me reconectar com a minha autenticidade e comecei a ter coragem para tomar melhores decisões?


Você já se sentiu paralisada (o) quando precisou tomar uma decisão? Já sentiu que precisava mudar mas faltou coragem?


Mudar requer mais que coragem. Na verdade, coragem é consequência. Existe um caminho mais seguro, que é olhar para dentro e entender o que nos faz feliz, o que importa de verdade e o que faz sentido pra nós.


Vivemos parte da vida tentando nos encaixar nas exigências do outro, e com isso, nos perdendo de nós mesmas (os).


Uma vez ouvi de um guia espiritual que nós aprendemos pelo amor ou pela dor. Eu não acreditava muito nisso, mas senti na pele que aprender pela dor não é das melhores opções. Tive dois casamentos. Dois divórcios também. E algumas outras dores que não vem ao caso contar aqui. E hoje posso dizer que me separar foi a melhor coisa que me aconteceu.


E também que o maior aprendizado é que não precisamos esperar a dor para mudar. Porque esperar pela dor é também ter que lidar com as consequências dela.

Eu tinha a sensação de que a vida estava passando e que eu estava operando no modo sobrevivência. Estava correndo atrás de alguma coisa que nem eu sabia o que era. Às vezes parava para pensar no sentido de tudo aquilo. Poucas vezes tive resposta, pois encontrava várias desculpas que me faziam permanecer na minha zona automática.


Eu costumava fantasiar que tinha um gigante adormecido dentro de mim. Eu precisava despertar este gigante, mas tudo o que conseguia enxergar era a vida me engolindo aos poucos.


O fato de eu viver em uma época em que o caminho natural era escolher uma faculdade, namorar, casar, ter filhos e trabalhar, era um agravante, pois sempre me interessei por várias coisas, e escolher apenas um caminho, para mim, significava não aproveitar as inúmeras possibilidades que a vida nos dá de VIVER.


E quando vamos na contramão (ou tentamos ir) da maioria, recebemos uma chuva de julgamento, que nos faz acreditar que os outros estão certos e nós, errados.

Pois bem, minhas escolhas foram escolhas padrões. Era mais fácil, pois cada vez que eu escolhia o que eu queria e não o que os outros acreditavam que era o melhor ou o correto, a sensação de que eu estava errada era reforçada e o medo de sustentar minhas próprias escolhas me dominava.


Questionei várias vezes o certo e o errado. Muitas vezes me vi na posição de não saber nem o caminho que eu queria ir. Me questionava o tempo todo se era o caminho certo, pois vários tipos de medo passavam pela minha cabeça. E nesta de me questionar, tive várias experiências no campo profissional. Mas nada me preenchia. Me pegava pensando: "Será que a vida era só isso mesmo"?


Me vi covarde, com medo de ficar sem dinheiro, medo do julgamento, medo de não ser aceita, medo do incerto, até medo do sucesso. E a vida foi passando. E eu, sentindo que estava me perdendo de mim mesma.


Até que a minha primeira separação veio como uma porta que se abriu para a minha autodescoberta.


Eu precisei me separar para começar a olhar para dentro, pois percebi que estava buscando do lado de fora a cura para as minhas lamentações.


E não há outro caminho. Nós damos voltas, buscamos atalhos, queremos respostas e resultados imediatos. No final, somente um trabalho de reconexão com a nossa essência, de aprofundamento em nós mesmos, é que vai mudar tudo isso. Certa vez uma amiga minha me disse que passamos muito tempo olhando para o externo, tentando ajudar os outros a serem pessoas melhores, a serem mais felizes, a terem vidas menos vazias, mas a melhor coisa que podemos fazer pelo outro é curar a nós mesmos.


A primeira vez que escrevi este texto, contei toda a história que me fez chegar até aqui, mas percebi que tinha escrito um livro de 10 páginas e que talvez você não tivesse paciência de chegar até o final, então retornei e reescrevi deste ponto em diante.


Posso te dizer que talvez você se frustre, por não existir exatamente um final. O que existe é um ser em construção (eu) apresentando alguns caminhos que funcionaram na sua vida. Meus caminhos, minhas escolhas, minhas descobertas, talvez façam sentido pra você seguir, ou talvez te despertem o desejo de buscar o seu próprio caminho. O mínimo que pode acontecer é você seguir a sua vida e eu a minha. E está tudo bem.


Se você já me conhece um pouco e sempre me escuta falar sobre felicidade e psicologia positiva, deve estar achando um tanto estranho eu escrever este texto. Mas verá que tudo está conectado, e foi também dentro deste campo de estudo que encontrei (e ainda estou encontrando) a minha cura.


Mas vamos lá, sem atalhos agora. Quer saber como comecei a me reconectar com a minha autenticidade e aprendi a ter coragem para tomar melhores decisões?


Pensando em te ajudar, vou resumir em tópicos, alguns pontos importantes que fizeram sentido pra mim:


  1. Desligue o Modo Automático


Se você não parar para perceber que está no modo automático ou no modo sobrevivência, não vai conseguir desligar.

Às vezes dói olhar para dentro e dói ainda mais entender que precisamos mudar. Mudanças despertam vários medos em nós. Quando pensamos em mudar, a vida dá um jeito de mostrar que é melhor permanecermos onde estamos. Por isso nos ocupamos e nos preocupamos com coisas externas, que nos trazem um resultado mais rápido ou até que nos fazem encontrar desculpas ou culpados (isso alivia a dor de se enxergar).

Tenha presença para perceber que algo não está bom. Só o fato de você parar e observar o que está acontecendo, já trará para a consciência o seu funcionamento, o que é importante para te ajudar a obter respostas.

Nosso cérebro, para economizar energia e nos proteger do perigo, escolhe o modo automático por pura sobrevivência. Só de pensar em sair deste modo já faz com que ele ative vários mecanismos de defesa para nos manter lá. Por isso é importante ir aos poucos reconhecendo o terreno para não assustá-lo.


2. Tenha consciência dos seus valores

Nossos valores são como uma bússola que nos guia nos caminhos de nossa existência. Precisamos entender o que é importante para nós, do que não abrimos mão e o que não faz mais sentido. Vá aos poucos ajustando a sua bússola. No próximo tópico vou falar mais sobre isso.

Mas antes, quero te contar que quando aprendi quais eram meus valores e utilizá-los como bússola ou termômetro, consegui trazer mais clareza para as encruzilhadas da vida.



3. Desapegue

Pessoas, coisas, situações, formas de pensar e de fazer o que fazemos, vão formando padrões e, por mais que não sejam bons para nós, nos trazem segurança. O apego é inato ao ser humano. Nos apegamos por uma necessidade infantil de segurança. A criança se apega aos pais, cuidadores, professores para se sentir segura. Por isso nos apegamos tanto; não somente a pessoas, como também a padrões de comportamento, pensamento, roupas, situações, etc. Sabe aquele trabalho que você não quer mais mas não consegue largar? Aquela amizade que não faz mais sentido mas você continua nutrindo? Ou aquela visão de mundo que não te deixa sair do lugar? Tudo isso é apego. Analise o que não faz mais sentido, o que não combina com o que você quer e o que está te afastando de você. E desapegue, aos poucos. Pode parecer difícil, mas liberta. A pergunta norteadora aqui é: isso faz sentido pra mim?


4. Mude o seu olhar

Você sabia que uma das causas de nosso sofrimento está na maneira como enxergamos o que nos acontece?

Quando eu cheguei aos 30 anos e me vi querendo fazer uma nova faculdade, eu só conseguia olhar para trás e pensar quanto tempo eu havia perdido. Eu dizia que estava muito velha, que se eu tivesse escolhido certo na primeira vez eu já estaria feliz, com dinheiro e seria bem sucedida. E este pensamento só me fazia recuar do meu desejo de mudar. Foi a mudança de olhar que me fez tomar a decisão e superar meus medos e dúvidas. Comecei a pensar na oportunidade que eu teria, em quantas coisas eu já tinha aprendido até ali e que poderiam me ajudar em uma nova carreira. Enxergar as coisas que lhe acontecem de uma maneira mais construtiva te ajuda a encontrar saídas, tomar decisões difíceis e superar seus medos.

Como você está enxergando e contando a sua história e qual a narrativa que irá te permitir construir em vez de te paralisar?


5. Reconheça o que você já tem de bom



Passamos a vida tentando nos encaixar nas expectativas dos outros e nos transformando em pessoas que não somos.

Além disso, temos uma tendência ancestral a olhar os aspectos negativos das situações. Nosso cérebro herdou esta maneira de interagir com o mundo por pura (de novo) sobrevivência.

E este padrão foi sendo reforçado pela vida: aprendemos que temos que ser melhores do que somos, que não somos bons o suficiente, que precisamos competir e desvalorizar o outro para ter sucesso. Aprendemos a farejar o perigo, a julgar os outros e a nós mesmos, com uma exigência praticamente inalcançável.

Quando conheci as forças de caráter, através da psicologia positiva, comecei a girar uma chave dentro de mim. Eu tinha várias qualidades que faziam com que as coisas funcionassem pra mim, mas estava treinada para olhar as ruins.

Todos nós temos forças que nos tornam únicos, que refletem a nossa forma de fazer as coisas, de sentir, de ser e de pensar sobre a vida. Ali eu entendi, finalmente, que não precisava (e nem deveria) fazer como todo mundo faz ou ser como todo mundo é. Entendi também a causa de todas as minhas angústias: eu estava tentando me encaixar. Precisava me conhecer melhor e saber como poderia usar o que eu já tinha de bom em mim. Consegui relaxar e perceber que o peso de corresponder à expectativa dos outros, estava saindo das minhas costas.


6. Dê um passo do tamanho da sua coragem


Certa vez ouvi da minha mentora Elen Milek, que precisamos dar passos do tamanho da nossa coragem. Isso fez todo sentido pra mim, pois foi desta forma que consegui sustentar o meu processo de mudança.

O que ocorre quando decidimos mudar, é darmos um passo pra frente e dois para trás. Ou fazermos tudo rápido para termos resultados rápidos. Grande besteira. Já falei que nosso velho amigo cérebro fará de tudo para nos proteger, boicotando toda e qualquer possibilidade de ação que possa ameaçá-lo.

Uma forma de lidar com isso é dar passos menores. Sabe quando você quer entrar em um rio gelado e não tem coragem? Primeiro coloca um pé, depois tira, coloca de novo, até amortecer o pé, e então você começa a entrar devagarinho. Reconheça o terreno que está pisando. Amorteça a dor, vá aos poucos. Seu cérebro vai começar a se acostumar e não vai criar tantos problemas.



Foi desta forma que, aos poucos, me reaproximei de mim mesma, da minha essência e da minha autenticidade.

Já não fazia qualquer coisa que não estivesse coerente com o que eu sentia e com quem eu era. Mesmo que desagradasse os outros.

Comecei a me soltar mais, a me enxergar mais, a me cuidar e me amar mais.


E hoje tenho minhas recaídas, volto várias vezes para o lugar de onde saí, para a minha caixa. Mas já me conheço, e sei sair dela quando me sinto fortalecida. Ainda tenho muitas coisas a destravar, mas posso dizer que estou no caminho, e é um caminho sem volta.


Espero que tenha gostado e que faça sentido pra você! Se você se identificou, baixe o Guia Autenticidade sem Medo - Caminhos para a Reconexão



Até a próxima!


Cintia Suplicy

Psicóloga, co-fundadora da Wiegrow, especialista em Psicologia Positiva, Designer de Organizações Positivas, Mentora de Felicidade e Autenticidade.



21 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo